Voltaire a morrer online dating

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O maior rancho de gado mundial - o Deseret Cattle & Citrus Ranch, em Orlando, cujo exclusivo valor imobiliário se cifra em 858 milhões de dólares - é propriedade da Igreja tal como o são a Ag Reserves (a mais importante produtora de oleaginosas da América), a cadeia de rádio Bonneville International Corp.

e a Beneficial Life Insurances, com um activo de 1.6 mil milhões de dólares.

Por entre visitas ao Museu da Igreja, à Genealogical Society Of Utah ou ao Joseph Smith Memorial Building, é obrigatória a visão de Legacy, uma grande produção cinematográfica em 70 mm, que narra a saga Mormon num formato que combina com grande felicidade a estética familiar Disney com a dos imortais "westerns" clássicos: Joseph Smith, "o profeta", é um moço bem apessoado que faz lembrar Tom Cruise, o converso britânico emigrado em missão evangélica para a América daria um bom duplo de Erroll Flynn e, pelo meio de inúmeros episódios em que a fé, inevitavelmente, vence as cruéis adversidades (particularmente tocante é a sequência onde um discurso inflamado de religiosidade convence uma vaca recalcitrante a carregar a carruagem até à Terra Prometida), não se fica a compreender muito bem por que motivo gente tão genuinamente boa, generosa e fidelíssima é acossada por inimigos tão ferozes.

Com os Mormons no papel politicamente correcto do "Bom Selvagem" habitualmente reservado aos índios, estranhamente, o único argumento explicativo da perseguição — os pioneiros Mormons seriam anti-esclavagistas — parece ter pouca correspondência com a realidade histórica: não só o "profeta Brigham Young" - sucessor de Joseph Smith, entretanto assassinado durante a grande caminhada por dissidentes que não viam com bons olhos a ideia da poligamia -, no seu "Journal Of Discourses", teria defendido a escravatura como doutrina bíblica, como, já em 1966, o "Apóstolo Bruce R.

C., três tribos judaicas emigraram por mar para a América do Norte (onde, depois de ressuscitar, Jesus foi, evidentemente, pregar aos nativos um novo Evangelho), que esses foram os verdadeiros antepassados dos índios americanos e que Deus (que, aliás, é feito de carne e osso como qualquer mortal) mantém residência no distante planeta Kolob? E é verdade porque, na qualidade de presidente, maestros e responsável pelas relações públicas do famoso Mormon Tabernacle Choir, actualmente em digressão pela Europa, todos eles fazem parte da elite dirigente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias (designação pela qual os seguidores da religião Mormon preferem ser conhecidos), uma particularíssima confissão religiosa que é, contudo, aquela que mais rapidamente se tem expandido nos EUA e no resto do mundo (10 milhões de seguidores) e cujo império económico foi recentemente avaliado pela "Time" em cerca de 30 mil milhões de dólares.

Como qualquer boa história clássica americana, tudo começou, afinal, como mais um episódio na conquista do Oeste e na forma de encarar a América como a Terra Prometida.

A isso chamariam eles o "Great Trek From The East", uma longa marcha em busca do Paraíso do "Zion prometido" que se confundia com o lendário "Oeste" por explorar.

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É aí mesmo que entram em acção missões diplomáticas de charme ecuménico como a actual digressão europeia do Mormon Tabernacle Choir, uma verdadeira instituição da cultura americana.O lema da empresa é agora "somos cristãos mas diferentes: não bebemos alcool nem café, não fumamos, temos uma saúde de ferro, reservamos a segunda feira para a família e detestamos homosexuais" e tudo o resto são originalidades arcaicas de que é melhor não falar na busca de uma relação menos conflituosa com as outras igrejas.Em suma, uma variante particular de cristianismo radicalmente higiénico que transforma Salt Lake City (com 70% de adeptos Mormons) na cidade mais asséptica do mundo ocidental.Numa das muitas salas da vitoriana "Lion House" de Salt Lake City, o almoço com três jornalistas europeus está a chegar ao fim mas Wendell M.Smoot, Don Lefevre, Jerold Ottley e Craig Jessop ainda continuam a falar sobre o problema prático que, nesse momento, lhes ocupa o espírito: toda a complexa logística de transportar um coro de mais de trezentos elementos (e outros tantos acompanhantes) dos EUA para a Europa, o cruzeiro mediterrânico que isso implicará e os inevitáveis imprevistos que as particularidades acústicas de cada sala levantarão.

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